É muito comum enfrentar alunos tímidos em sala de aula e interpretá-los como ausentes, distraídos ou até “cheios de si”, como já ouvi professores discorrendo. Porém, é necessário atentar às suas reações e aos porques delas: em geral são pessoas solitárias, que se escondem atrás de outros, travam ao serem requisitados para a participação e, por causa disso, dão a impressão de omissão, descaso ou ausência.

Eu mesma tive muito desse sentimento quando mais jovem e foi muito complexo o caminho do “administrar” o sentimento e não permitir que ele me domine em situações de exposição. É necessário compreender que a timidez está associada a rejeição e não a soberba: já li autores descrevendo o tímido como sendo o indivíduo que não compartilha o que pensa por se achar superior aos demais: não é nada disso!

Para um indivíduo tímido, o medo de expor seus sentimentos e ser motivo de piadas, risadas e etc. fazem com que ele desista antes mesmo de tentar. Isso porque inúmeras vezes suas tentativas de participação num grupo, família, amigos e outros fez com que se achasse incapaz de agradar, de dizer algo útil ou mesmo comparado a alguém de sua convivência que é exaustivamente elogiado (o pensamento do tímido é: não conseguirei ter essa mesma empolgação das pessoas, por que falar, então?).

Ientifique os alunos tímidos e encorage-os primeiro pessoalmente. Mostre-lhes que você tem interesse no que eles pensam e procure corrigir suas palavras com cuidado para que eles percebam que a participação deles é importante, seja esta qual for. As correções só existirão se eles se expuserem e assim melhorarão muito seu processo de aprendizado e sua autoconfiança para participar nas próximas vezes.

Tenho tido experiências preciosas com alunos tímidos que conseguem reavaliar sua condição e modificar sua participação junto às comunidades com as quais se relaciona. Educar é relmente fascinante!