Maio 2008


O segredo para o sucesso em um curso proposto a distância é justamente a proximidade entre o professor e o aluno. Vários são os levantamentos que mostram que a evasão de alunos acontece por se sentirem sós: sós sem colegas próximos, mas principalmente sós sem professores próximos…

Isso ocorre mormente porque os professores acreditaram que o ensino que se realiza por qualquer meio que não seja o da presença física, não é somente mediado pelo meio, mas seria gerenciado também por este. Lêdo engano: o aprendizado precisa de condução segura, principalmente na momento inicial e inclusive para se incentivar a integração entre colegas, seja por estímulos diretos ou indiretos (estratégias, tais como trabalhos em grupo). Isso envolve um planejamento adequado e o desejo efetivo de ver estudantes satisfeitos e formados para o aprendizado continuado.

Em qualquer abordagem pedagógica ou modalidade de ensino, o que ensina é aquele que se abre ao outro protagonista do processo de ensino-aprendizagem, seja para receber ou para doar-se. O processo só será eficaz se essa abertura envolver um convite: para a efetividade do relacionamento é necessário que a simpatia abra as portas do aprender e do ensinar. A simpatia é um dos convites mais agradáveis e bem recebidos da história da humanidade.

O que a simpatia tem com isso? É ela quem determina a qualidade do relacionamento: se haverá abertura para perguntas, quaisquer que sejam; se haverá disponibilidade quando houver necessidade; se haverá envolvimento de fato no processo que o outro está vivendo. Isso tudo só acontece baseado em um planejamento seguro e centrado na preocupação sincera com o aprendizado do aprendiz. O professor se despe do papel de detentor da verdade e passa para o de tutor: aquele que encaminha o aprendiz em suas descobertas pessoais…

Esse tipo de professor, que ora é chamado de tutor, ora de facilitador, na verdade começa a sorrir quando planeja um curso visualizando o aprendiz e as dificuldades que ele possa sentir durante todo o processo. Ele sorri quando auxilia seu aprendiz a se organizar e planejar seu estudo mesmo a distância; sorri quando recebe mensagens e não vê a hora de responder a cada um de seus aprendizes para que se sintam atendidos, acompanhados e seguros em seu caminho… sorri quando planeja atividades colaborativas e percebe o quanto seus aprendizes se envolvem com os colegas, aprendendo ao mesmo tempo a se relacionarem com qualidade e a não se sentirem mais sós.

Sim: é possível sorrir no mundo virtual!… mas só o faz quem já sabe sorrir no mundo físico…

Tudo começou com uma mensagem do Thiago…

Re: Avaliação no curso de Metodologia – Wednesday, 14 May 2008, 11:38

Poxa, será que presença foi realmente um critério? Na minha
opinião, um conceito deveria ser dado de acordo com o que o
aluno aprendeu aquilo que vc se propôs a ensinar. Presença física não
indica se o aluno foi esforçado – pois ele pode se esforçar e aprender à
distância! Talvez outro critério tenha sido utilizado?

Resposta do Dr. Antoniazzi:

Citando JHAntoniazzi:

Olá Thiago, boa tarde

Veja como é interessante e a distância entre o discurso ou que
se pensa e a as reações decorrentes do feed bak pessoal, do
processo cultural e dos nossos preconceitos e, até do “amor
próprio”. Se o aprender e o que foi aprendido é fundamental e
essencial por que se importar com nota e a forma de sua
aferição?
Pense
Abraços
Antoniazzi

O Thiago voltou a comentar:

Oi professor,
Ótima pergunta.
Ainda estou pensando sobre o assunto. E tenho a esperança de continuar pensando sobre isso por muito tempo. Dessa forma, sempre que precisar avaliar, e “conceituar”, um grupo de alunos, quero poder refletir ainda mais – e aprender.
O problema, é “ter que colocar um conceito” em alunos. Para tal, estaremos sempre tentando “padronizar” todos os nossos alunos = colocar todos como farinha do mesmo saco e pontuar o melhores e piores grãos.
Será que em uma carreira de professor “lapidamos” alunos? Se sim, conseguiremos avaliar quais são os alunos mais “brutos” e os mais “puros” (melhor lapidados). Se não lapidamos, nunca conseguiremos conceituá-los. Mas, então, o problema é outro…
Ainda vivemos em um momento que o diferencial em uma carreira é o conceito, uma nota. Mas será que essas notas são justas?
Aí está minha dúvida na resposta do forum. Deixei aquela pergunta no final do que escrevi, mas acho que não ficou claro. Minha dúvida seria, “se a instituição cobra do professor um conceito para cada aluno, quais critérios poderemos utilizar para que este conceito seja o mais completo e o mais justo possível?”.
Então, será que o problema está na instituição? Constituição?
Há solução (palavras da música “revolution” dos Beatles).
Abraço
Thiago

…daí, esse final da mensagem dele me inspirou!!!

Citando Maine Skelton:

Pois é, Thiagão
Quanto a isso, consenso não há não….
Pode ser que, analisando o senão,
fiquemos a buscar essa digna avaliação

Enquanto isso, precisamos dar respostas à Instituição:
como ela enxerga o processo de promoção?
e se meu aluno precisar de uma mão,
pequena,… mas não de uma reprovação???

precisamos analisar cada opção…
precisaremos de mais momentos de reflexão…
Claro está que necessitamos dar mais atenção
a esse processo que, ainda que o nome não seja o mais agradável de
se ouvir,
denomina-se avaliação….

…e, quer queiram quer não,
as ausências têm significado nessa situação…
Momentos de perda sempre serão,
mas o argumento do “direito de faltar” acabou virando jargão!

Como você mesmo disse um conceito deveria ser dado de acordo com o que o aluno aprendeu adquilo que vc se propôs a ensinar, mas nós nos propusemos a ensinar conteúdos em todas as aulas, quer presenciais ou a distância, certo?
A avaliação incide sobre o que foi proposto e acordado no primeiro dia de aula e lá constavam todos os conteúdos e não somente aqueles em que você ou outro aluno estivessem presentes, certo?

Abraços
Maine

Maine,

Que resposta legal!!!
Gostei muito do que você escreveu!!!
E tudo rimando…
Li diversas vezes para ver se não perdi nada!!! Gostei muito mesmo!
Abraço
Thiago

Como é difícil entender o que as pessoas têm em mente em algumas comunicações que fazem! Mais crítico ainda é quando a mensagem é imprescindível…

Imaginem o outdoor, em letras garrafais, na beira de uma estrada para o litoral paulista:

Fiquei transtornada! Afinal, se querem que aqueles que abusam de bebidas alcoólicas não o façam, que grande idéia chamá-los de bêbados!!! Certamente os tais se reconhecerão e atenderão ao apelo da mensagem imediatamente…

Mas, quem bebe em exagero se auto denomina “bêbado”??? NÃOOOOO!!!!
Portanto, erraram na condição básica da comunicação para que seja eficaz: atingir-se corretamente o público alvo!!!
A mesma frase ficaria perfeita se fosse dita da seguinte maneira:

Amor de verão não sobe a serra; quem bebe em exagero também não

Agora, vamos pensar mais um pouquinho: será que não seria interessante dizer em termos práticos, o que significa beber em exagero? A quantos copos isso corresponde? Quantos cálices? Por quanto tempo devo descansar antes de pegar na direção depois de um churrasquinho regado a cerveja, ou uma feijoada acompanhada de caipirinhas? Essa informação não é divulgada adequadamente, portanto mais um problema no termo utilizado para denominar o público a quem se desejou referir, já que não é o bêbado que pode vir a ter problemas quando pega na direção, mas todo aquele que beber além de um determinado limite (diga-se de passagem, limite muito aquém daquele que o bêbado está acostumado a ingerir…).

Este limite é atingido ao ingerirmos duas latinhas de cerveja ou dois copos de vinho (acesse http://www.cetsp.com.br/internew/campanha/sebeber/campanha.html para dar uma olhada nas dicas).

Na mesma semana em que me deparei com aquele outdoor ineficaz (perdõe-me quem o idealizou), cruzei com um rapaz na faculdade vestindo uma camiseta que tinha algumas frases em seqüência, com a seguinte idéia:

Pergunta: é ou não é mais eficaz????

Podemos começar a repensar nossa maneira de nos comunicar
com nossos alunos….
Maine Skelton

Vamos começar a refletir sobre nossas ações no dia-a-dia: como nos comunicamos, como interagimos com o mundo ao nosso redor, como nos relacionamos no íntimo e no coletivo, como nos alimentamos, como nos vestimos…

Viver não é simplesmente acordar todos os dias e cumprir um ritual de tarefas que variam de acordo com as exigências diárias: viver é muito mais que isso… é tornar cada dia uma experiência única de aprendizado e felicidade!

Quer ser feliz? Escreva a sua própria história! Não permita que as circunstâncias e o contexto te levem nas asas do corriqueiro cotidiano… Transforme os dias em experiências ricas de comportamento e atitudes que imprimem alegria nas pessoas ao seu redor… Renove-se!

Sobre o poder do sorriso? Nem preciso citar… Ouvi há pouco que é eficaz inclusive se forçado… É possível ficar sem esboçar um sorrisinho ao se observar a alegria simples e ingênua de um bebê?

Sorria! Sempre e mais e honestamente: semeie sorrisos!

Maine Skelton